Trabalhadores jovens exigem maior atenção ao seu bem-estar

Um estudo da MetLife revela que empregadores devem mostrar ter um propósito empresarial e rever o pacote de benefícios para atrair e reter as novas gerações.

A MetLife apresentou a 20ª edição do estudo anual sobre tendências de benefícios dos trabalhadores, onde revela que os “Zillennials” – uma microgeração nascida entre 1993-1998 – estão a exigir uma cultura e um ambiente de trabalho que se alinhe melhor com os seus valores pessoais. O relatório conclui que esta geração é a que está menos satisfeita profissionalmente: mais de metade (53%) diz que ter um emprego que não os realiza é actualmente uma das maiores causas de stress.

Ao longo dos últimos 20 anos, o estudo da MetLife tem examinado as percepções dos trabalhadores sobre os seus empregadores, detectando tendências em temas como o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal, o trabalho com um propósito, e as culturas de suporte, aspectos fundamentais para a retenção e experiência dos trabalhadores no contexto laboral. Os dados a longo prazo mostram uma mudança nas expectativas, impulsionada principalmente pelos trabalhadores mais jovens, que mostram ter menos probabilidades de se conformarem às convenções tradicionais do local de trabalho devido à evolução dos seus valores e prioridades.

Enquanto continuam a lutar contra o esgotamento (burnout) e o isolamento social dois anos após o início da pandemia – com 53% a procurarem ajuda para a saúde mental no último ano – os Zillennials têm uma opinião mais vincada, face aos outros trabalhadores, de que o seu empregador está a fazer apenas o “mínimo possível” para os ajudar a adaptar-se aos novos contextos de trabalho (41% vs. 36%, respectivamente). O resultado é que os Zillennials são agora mais criteriosos do que outras gerações na avaliação dos seus empregadores, considerando todos os aspectos da experiência laboral, além dos benefícios tradicionais.

Oscar Herencia, Vice-presidente da Metlife para o sul da Europa e director geral para Espanha e Portugal, salienta que “as tendências reveladas pelo estudo devem merecer a atenção dos empregadores e que podem aproveitar para fazer uma reflexão sobre as suas próprias práticas laborais. À medida que os trabalhadores repensam não só a forma como trabalham, mas também porque o fazem, os jovens estão a estabelecer um novo padrão para avaliar a experiência no trabalho. A análise das expectativas desta geração pode servir como um barómetro para o sucesso das políticas de talento – um fator fundamental dado que estes jovens estão a ganhar peso no mercado de trabalho”.

Apoiar a experiência global dos trabalhadores

À medida que os Zillennials querem sentir-se profissionalmente realizados, muitos procuram ambientes laborais que tenham um propósito que vá ao encontro das suas prioridades. Estão mais interessados em empresas que proporcionam um claro sentido de propósito – com menos de metade (46%) dispostos a permanecer numa empresa que não tem um propósito empresarial claro e positivo (contra 57% de todas as gerações). As novas necessidades da Zillennials vão além dos benefícios tradicionais: incluem um maior interesse na posição do empregador face a questões ambientais e éticas (45%), bem como de diversidade, equidade e inclusão (40%) – expectativas “obrigatórias” para este grupo etário. Segundo o estudo, esta mudança é consistente nas outras gerações – em particular, os trabalhadores mais jovens – que estão a expressar prioridades semelhantes em 2022.

Uma cultura de trabalho que aborda e melhora a saúde social e mental dos trabalhadores também se tornou uma das principais considerações para os Zillennials. De acordo com o relatório, o reconhecimento da importância da vida pessoal, e as políticas que colocam limites ao horário de trabalho dos trabalhadores, aumentaram em importância nos últimos dois anos (em 13% e 11%, respectivamente).

Reforço dos benefícios para melhorar o bem-estar e a satisfação no trabalho

O relatório aponta como caminho uma abordagem holística aos benefícios: um em cada quatro Zillennials (27%) diz ter considerado mudar de emprego devido à oferta de um pacote de benefícios melhorado (vs. 19% de todos os trabalhadores). Os benefícios tradicionais continuam a assumir grande importância para os Zillennials; isto é particularmente verdade no caso de seguros de vida e seguros de hospitalização, que saltaram 25 pontos percentuais, 23 pontos percentuais, e 19 pontos percentuais desde 2017 entre esta faixa etária, respectivamente.

Quando questionados sobre que benefícios melhorariam o seu bem-estar, os Zillennials apontaram como principais prioridades as licenças pagas e não pagas (74%); programas de equilibro da vida profissional e pessoal (67%); benefícios de bem-estar mental, incluindo programas de assistência e reembolso de sessões terapêuticas (62%); e programas de apoio às suas necessidades financeiras (55%), como principais prioridades.

Oscar Herencia conclui que “para melhorar a satisfação e a retenção de talento, os empregadores precisam de atribuir maior importância aos benefícios. O objectivo é oferecer um pacote completo que dê resposta às principais necessidades das novas gerações. Caso contrário, arriscam-se a ficar para trás na guerra pelo talento”.